terça-feira, 20 de setembro de 2011

5 ministros de Dilma caem em 8 meses. 4 por denúncias de corrupção. Leia mais.


Os consecutivos registros de corrupção envolvendo o governo da União – certamente também presentes nos estados, onde a vigilância da imprensa não é tão eficaz – expõe o grau de deterioração da atividade pública, que projeta uma péssima imagem do País no exterior. Não é preciso ir-se em busca de mais evidências, senão observar o governo Dilma Rousseff. Em oito meses e meio caíram cinco ministros, quatro deles por supostas corrupção e um, Nelson Jobim, por desentendimento e críticas aos ministros e aos petistas de maneira geral. Jobim entregou o cargo com a dignidade intacta. Foi o único.
 
As irregularidades na atual gestão não devem ser imputadas à presidente. Seria injusto assim proceder. Elas vêm de antes, da herança recebida do governo anterior que, para se blindar e agradar aliados, elasteceu a gestão com nada menos 37 ministérios, a maioria deles absolutamente dispensável. Ademais, Rousseff aceitou a quase imposição do ex-presidente ao seu governo dos quatro afastados: Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais. Um de Lula, Palocci, um do PR, dois do PMDB, o último deles, Pedro Novais, indicado por um dos sócios da legenda, o senador José Sarney. Que também indicou o substituto, Gastão Vieira. Ambos são do seu feudo, o Maranhão.
 
Nesse aspecto, Dilma passa a ter responsabilidade. Falta-lhe coragem para enfrentar os velhos vampiros da República, certamente por orientação de Lula que a aconselhou “a não esticar muito a corda para não ter problema com a governabilidade.” Traduzindo o conselho de Lula: o perigo que envolve a governabilidade transforma os partidos em sócios do tesouro da República. São todos, sem exceção, farinha do mesmo saco. Está nos partidos, em última análise, a origem do mal da corrupção, que somente pode ser debelada com uma reforma política séria, daí as dificuldades para fazê-la. Muitos políticos exercem o seu mandato com honradez, mas grande parte se enriquece à sombra de negócios escusos resultado da venda, de uma forma ou de outra, das vantagens que os poderes republicanos oferecem ou do fisiologismo abjeto.
 
A sucessão de denúncias contra integrantes do governo nos diversos escalões, todas elas até aqui, são fruto da imprensa livre. Não partiu do Estado, do governo, nenhuma iniciativa a não ser levado a investigar as mazelas divulgadas. Daí porque a todo o momento há movimentos para restringir a liberdade de imprensa, entronizada na Constituição de 1988. Na medida em que a vigilância arrefeça, os corruptos, que se proliferam não sem razão à semelhança dos ratos, tomam conta da República. O poder que entendem ter serve como ameaça à livre manifestação do pensamento, da opinião. A cada denúncia, porém, a imprensa se fortalece e soma crédito junto à opinião pública.
        
Curioso é que, recentemente, em declaração, a presidente Dilma Rousseff defendeu a imprensa, a sua liberdade de manifestação e de opinião, mas, como contraponto, disse em sequência que “não se deixava pautar pela imprensa”. O que acontece é, justamente, os dois casos. Ela tem o mérito democrático de respeitar o livre pensamento e a imprensa, mas, queira-se ou não, a corrupção a leva ser pautada pelas denúncias nos diversos veículos de comunicação. É fácil constatar. Todos os ministros substituídos, além dos integrantes do segundo escalão, caíram depois das denúncias efetuadas. Não surgiram do próprio governo, mas de fora do governo. Ela tem méritos, no entanto, ao reconhecer a exata essência da imprensa em suas diversas formas.
      
Os brasileiros estão se aglutinado para realizarem marchas para uma limpeza generalizada. Essas marchas são necessárias. O governo terá que ouvir o grito das ruas porque ele além de legítimo é a voz da nação que quer reformas, a reforma política, sobretudo, porque sem ela os corruptos continuarão aboletados no poder. Não há país sério que não esteja estribado em princípios da moralidade e da ética pública. 

(Artigo de Samuel celestino, BN). 
 

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