Entrevista com Dr. Carlão
O Dr. Carlão é vereador de 4 mandatos e líder do governo na Câmara. Em 2006 se elegeu com mais de 26 mil votos. Vamos a entrevista.
RN: Dr. Carlão, em relação ao prefeito Jorge Mário, muitas pessoas afirmam que ele esta voltando. Outras duvidam. Com quem esta a verdade?
- Eu penso que as provas que nós temos contra o prefeito Jorge Mário são contundentes. A comissão processante rejeitou a defesa que ele apresentou e os trabalhos da comissão continuam. A oitiva esta marcada para o dia 4. Ele só tem uma testemunha de defesa, e essa testemunha não estava presente na época em que os fatos ocorreram. Dia 03 de outubro acaba o prazo do afastamento, mas até o dia 25 mais ou menos a cassação dele já estará concluída, pois as provas são contundentes. A Câmara vai cassá-lo, pode estar certo.
RN: Se o ainda prefeito Jorge Mário for finalmente cassado, como fica a situação? Teremos novas eleições?
- Não dá para afirmar isso já. O que eu posso dizer, é que meu candidato em qualquer opção será o Arlei. Em uma votação por voto direto ou indireto, será ele. RN: Com relação ao número de 21 vereadores. Porque seu voto foi favorável? Muitas pessoas dizem que é um absurdo aumentar o número de vereadores porque isso vai onerar ainda mais os cofres públicos.
- Miguez, eu sou a favor porque aumenta a representatividade. Nós não podemos pensar uma cidade como Teresópolis achando que tudo é corrupção. Existem bairros em Teresópolis que não tem representante na Câmara. Não seria bom que essa representatividade aumentasse? Por outro lado, a verba será a mesma. Não muda um centavo. Sejam 9, 15 ou 21 vereadores. A funcionalidade de uma Câmara com 21 vereadores, dentro daquilo que se espera de um vereador – que é o trabalho digno - será sempre maior do que uma Câmara com 9. Experiências ruins do passado não devem servir de referencial para as projeções do presente. Vamos fazer cada vez mais e melhor. Se alguma coisa falhar, vamos corrigir.
RN: Carlão, quando você foi presidente da Câmara conseguiu economizar e devolver aos cofres públicos mais de dois milhões de reais. Como foi possível fazer isso?
- É verdade. Eu devolvi 30 % do que a Câmara recebeu naquela época. Fiz isso cortando combustível, viagens desnecessárias, gratificações dos assessores e extinguindo 61 cargos. Nas obras da Câmara, só utilizamos os serviços da prefeitura. Não gastamos um tostão com empreiteiras particulares. Essa foi a minha fórmula. Também controlamos ao máximo os gastos com telefonia e despesas gerais.
RN: Qual é a sua avaliação política do Arlei hoje?
- Eu vejo muita positividade no Arlei. Ele não é impulsivo, procura ouvir opiniões, não se nega a prestar esclarecimentos e esta demonstrando capacidade de articulação. Esta agindo de forma bastante sensata e transparente. Se as suas realizações não forem tudo aquilo que se espera de uma prefeitura nesse momento, é preciso considerar a situação precária em que ela passou as suas mãos. Mais vai melhorar.
RN: E a população de Teresópolis depois de passar por uma catástrofe ambiental e uma amarga decepção política. Esta pronta para fazer uma boa escolha nas próximas eleições?
- Eu creio que a cidade amadureceu muito politicamente. Aprendeu a se mobilizar, a reivindicar seus direitos, se manifestou. Eu acho que algumas atitudes foram injustas em relação a Câmara, mas entendo que partiram de grupos oposicionistas interessados apenas no poder. Até baderneiros estranhos à cidade, foram convocados para vir aqui e causar tumulto. Mas felizmente existe uma outra oposição benigna, que nos ajuda ao invés de atrapalhar.
RN: Para muitas pessoas a Câmara falhou em não fiscalizar os atos do executivo. Qual a sua posição em relação a esse assunto?
- Miguez, eu fujo de ser uma pessoa arrogante. Não quero deixar de aprender por pensar que não cometo erros. Acredito que nós poderíamos ter feito melhor, mas de certa forma também fomos enganados. Nós convivíamos com um montão de promessas, e o que chegava as nossas mãos eram contratos perfeitamente legais que não passavam a idéia de fraude. Tudo era maquiado. Mas a base de sustentação do governo, que chegou a ser de oito vereadores, foi se desfazendo aos poucos porque as coisas não aconteciam. Isso foi se tornando cada vez mais claro e coincidiu com a mobilização popular.
RN: E com relação ao Governo Federal. As investidas do Arlei em Brasília já apresentaram resultados concretos?
- A boa notícia é que a presidente Dilma foi muito receptiva e demonstrou confiança. O Arlei foi muito bem recebido. Tivemos apoio do Senador Crivella, do Vice-Presidente Michel Temer, do Gabinete Civil, do Ministro das Cidades Mário Negromonte. A presidente sinalizou claramente que vai nos ajudar e as negociações estão em andamento. Agora, o PMDB do Rio, através do Pisciani, do Pezão e do Governador Sérgio Cabral já estão alinhados com o Arlei, e estão mandando recursos para Teresópolis. Os rios já estão sendo dragados, pontes estão sendo recontruídas e os acessos estão sendo desobstruídos.
RN: Para finalizar, Carlão, o que é que voce diria a população de Teresópolis nesse momento de transição?
- Eu queria apenas pedir que as pessoas acreditem no Governo. Que nos ajudem com críticas construtivas. Nossas portas estão abertas. Um excelente sinal de confiança é a aproximação dos nossos empresários, que já tem se manifestado positivamente trazendo sugestões. A prefeitura não vai se negar a dialogar com eles nem com ninguém. Para voce ter uma idéia, eu estou abrindo mão até das minhas atividades acadêmicas, e de momentos da minha vida particular para dar apoio ao Governo e trabalhar pela reconstrução de Teresópolis. Nós queremos que aquele clima de animosidades e desconfiança que se instalou na gestão anterior, acabe de uma vez por todas. Queremos estar ao lado do povo e ter o povo ao nosso lado. Precisamos trabalhar.
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